sábado, 17 de fevereiro de 2018

Rumo à cidade "perdida" de Ierabriga

Em Outubro de 2015 - com o grupo Caminhando - conheci os montes do concelho de Vila Franca de Xira. Pouco mais de um ano depois, em Dezembro de 2016, levei lá os "meus" Caminheiros Gaspar Correia. Como então disse, quando se pensa em atravessar terras de Vila Franca, normalmente pensa-se em lezíria, em paisagens ribeirinhas ... e esquece-se que Vila Franca também tem montes, também tem bosques e ruralidade ... e também tem os vestígios arqueológicos do que deve ter sido uma importante cidade romana.
Castanheira do Ribatejo, 17.02.2018, 9h30
Desta vez pela mão dos Novos Trilhos, Castanheira do Ribatejo foi a base para uma caminhada circular, que se iniciou em sentido sudoeste, com uma incursão sobre os montes sobranceiros à lezíria e a Vila Franca de Xira.
O primeiro objectivo de registo foi o alto do Senhor da Boa Morte. Reza a história que a capela, no cume do monte, tinha o nome de Sta Maria dos Povos, a vila que lhe fica aos pés. A posterior designação deve-se à descoberta, nas proximidades da Igreja, de uma imagem de Jesus Cristo morto. A devoção a esta imagem implantou-se de tal forma que, quando a igreja foi reconstruída após o terramoto de 1755, o seu nome alterou-se para capela do Senhor da Boa Morte.

Pelos montes e bosques de Vila Franca de Xira, rumo ao Alto do Senhor da Boa Morte
Encosta nascente do Senhor da Boa Morte e ruínas
do antigo solar dos Ataíde, dos séculos XVI a XVIII
Miradouro do Senhor da Boa Morte e Cruzeiro da Independência
Panorâmica do Alto do Sr. da Boa Morte e, a sul,
o Monte Gordo, sobre Vila Franca de Xira
Também é corrente a interpretação de que o nome “Senhor da Boa Morte” deve-se ao povo das lezírias e às muitas tragédias que os afligiam. “Como na altura morriam muitas pessoas devido às cheias, começaram todos a pedir ao Senhor que lhes desse uma boa morte" (Jornal "O Mirante").

Capela do Senhor da Boa Morte
Pelas onze horas rumámos a noroeste. O alto do Sr. da Boa Morte ficava para trás; os campos pareciam apresentar já uma Primavera antecipada ... ou um Inverno que praticamente não existiu. Pouco depois do meio dia, estávamos nas ruínas da antiga Quinta e Convento de Santo António, para depois descer rumo ao vale do Rio Grande da Pipa, com a aldeia de Cadafais à vista.

E o Senhor da Boa Morte ficou para trás
Pelos campos entre Matos da Boiça e a Quinta de Santo António
Antiga Quinta e Convento de Santo António
Descida para o vale do Rio Grande da Pipa, com Cadafais à vista
O almoço foi na encosta poente do geodésico da Castanheira, à vista de Quintas, a aldeia que ficou tristemente célebre a 26 de Novembro de 1967, o dia em que as cheias dizimaram metade da população ... 83 mortos em poucas horas...

Rumo ao Monte dos Castelinhos
No extremo norte do percurso, entre as Quintas e a Vala do Carregado, situa-se o Monte dos Castelinhos, considerado a mais importante estação arqueológica do baixo Tejo. Como referi no início, em Outubro de 2015 e Dezembro de 2016 já por ali tinha andado ... mas hoje tivemos inclusivamente o nosso arqueólogo Novos Trilhos a prestar-nos uma completa e cativante descrição.

Na Estação Arqueológica do Monte dos Castelinhos. Será esta a cidade "perdida" de Ierabriga?
"“Já se tinha arrumado a questão da importância do Monte dos Castelinhos durante a fase da conquista romana, no período republicano (século I aC) e é nesse período que a investigação tem vindo a ser desenvolvida, porque estamos perante um sítio com uma grande fortificação, que teve uma forte presença militar no período de Júlio César”, explica João Pimenta, em declarações ao Público, frisando que havia, contudo, “indícios de que este sítio também tinha sido importante em épocas já do alto império romano (séculos I e II dC), numa altura em que Roma já se tinha implantado neste território e em que este território estava na província romana da Lusitânia”."
Os trabalhos de pesquisa ali efectuados nos últimos anos reforçam a tese de que ali se situava a cidade romana de Ierabriga, "perdida" há muitos séculos e considerada a mais importante entre as antigas Olissipo (Lisboa) e Scallabis (Santarém).

Etapa final, de regresso à Castanheira
Com 21 km percorridos, antes das três e meia estávamos na Castanheira do Ribatejo. Antes de regressar ao ponto de partida, a Igreja Matriz da Castanheira foi o local eleito para a habitual foto de grupo ... no final de mais uma bela caminhada ao estilo Novos Trilhos.

A Igreja Matriz da Castanheira ... recebe os Novos Trilhos ... 😊
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sábado, 10 de fevereiro de 2018

"Assalto" ao Castelo de Alcanede

Como os desígnios do Universo são insondáveis, o destino levou-me em dois fins de semana seguidos ao maciço calcário estremenho; no passado fim de semana com os Caminheiros Gaspar Correia ... oito dias depois com os Novos Trilhos.
Alcanede, 10.Fev.2018, 9h35 - Começava a caminhada
Um percurso circular de 23 km, a partir da Igreja Matriz da vetusta vila de Alcanede, situada na base do morro do Castelo, ocupou mais de 30 caminheiros, num belo sábado de Sol. Cruzada a Ribeira de Alcanede e bem ao estilo Novos Trilhos, começámos por percorrer a crista situada entre a vila e a Aldeia de Além. Em 27 de Outubro de 2013 passámos em Alcanede e na base desta crista, no terceiro dos 4 dias ... dos Novos Trilhos nos Caminhos de Fátima.

Cruzando a Ribeira de Alcanede ...
subimos à crista sobranceira à vila
A vila de Alcanede, com o morro do Castelo e a Igreja Matriz
Ao longo da crista em cuja base passámos há quase 5 anos, nos Caminhos de Fátima
Os campos verdes de Aldeia de Além
Finda a crista e durante cerca de meia hora, o percurso coincidiu mesmo com o daqueles memoráveis Caminhos de Fátima, até à aldeia de Abrã. Há 5 anos seguimos para nascente, rumo a Amiais de Baixo; hoje seguimos para norte, rumo à aldeia de Vale da Trave e ao Algar do Pena.

Vale da Trave, rumo
ao Algar do Pena
Sobre o Centro de Interpretação do Algar do Pena
Apesar das minhas muitas deambulações nos meus tempos da Espeleologia, não conheço o Algar do Pena ... porque nesses tempos ainda não tinha sido descoberto; mas, infelizmente ... também não foi agora que o conheci. O algar foi descoberto em 1985 pelo Sr. Joaquim Pena, na sequência do desmonte de uma bancada de calcário; integra a maior sala subterrânea conhecida no país.
Parte do que poderíamos ter visto no Algar do Pena
(Foto de https://goo.gl/wT4Tx7)
Dadas as suas características, ali se instalou um Centro de Interpretação Subterrâneo, inaugurado a 5 de Junho de 1997, após 3 anos de estudos. Dispõe de um edifício de apoio técnico, elevador, auditório e um espeleódromo. Pois, tudo muito bonito ... mas contactado previamente aquele Centro de Interpretação (CISGAP) ... não houve ninguém disponível para o grupo! Aliando a importância científica aos aspectos didácticos e turísticos do algar ... não deveria o mesmo ter um horário de abertura ao público, não sendo sequer necessário um contacto prévio? É assim em Portugal... 😟
O Algar do Pena foi o ponto mais ao norte do nosso percurso. A partir dali, começava o regresso a Alcanede ... preparados para o "assalto" ao Castelo 😊. "Tomámos" o morro a partir da EN362, a NW.


As "tropas" avançam ...
... aproximamo-nos de Alcanede, com a Serra de Montejunto ao fundo ...
... e já vemos de novo o Castelo de Alcanede!
Começou o
"assalto"...

... e "tomámos" o Castelo! 😊
As "tropas invasoras" reunidas no Castelo (Foto: Novos Trilhos)
15h55 ... regressámos ao ponto de partida
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